Fale conosco

margem

blog

noticias

Postado em 22 de Outubro às 15h35

Os 7 pecados capitais do agro americano

O agro mais produtivo do mundo vive um momento delicado. Em abril de 2026, produtores americanos fizeram o maior número de pedidos de recuperação judicial em um único mês desde 2020. No acumulado de 2025, foram 315 pedidos, 46% a mais que no ano anterior. A dívida do setor caminha para cerca de US$ 625 bilhões, um recorde.

Para o executivo e especialista Marcello Brito, diretor acadêmico do FDC-Agroambiental, da Fundação Dom Cabral, o problema não está na lavoura. Em artigo publicado no AgFeed em 16 de outubro, ele argumenta que a crise vem de decisões institucionais que empurram custo e risco para o produtor, enquanto o governo tenta compensar com dinheiro público. Só em 2026, os pagamentos diretos podem chegar a cerca de US$ 55 bilhões, o equivalente a aproximadamente um terço da renda agrícola do país.

Subsídio não é remédio para margem

Segundo a análise, os cheques do governo não recompõem a rentabilidade do produtor. Na prática, ajudam a sustentar o endividamento e o preço da terra, que serve de garantia para essas dívidas. O resultado é um setor que passa a depender de negociações políticas anuais, o que reduz a pressão por reformas mais profundas.

Um conjunto de fatores

O autor organiza o diagnóstico em sete frentes, que ele associa aos sete pecados capitais. Entre elas estão a guerra tarifária com a China, que contava com uma dependência que já não existia, e a falta de uma lei agrícola renovada de forma definitiva desde 2018, que tira previsibilidade de crédito, seguro e preços de referência. Também pesam a concentração de poucas empresas na venda de insumos e na compra de proteína animal, a escassez de mão de obra ligada à política migratória, a dependência de defensivos num momento de forte disputa política e decisões comerciais vistas como incoerentes pela própria base do governo.

E o Brasil com isso?

O ponto mais relevante para o leitor brasileiro está no final do texto. O Brasil colhe ganhos de curto prazo com a situação, como vantagem tarifária na soja e a presença consolidada do cliente chinês. Mas o autor alerta contra confundir a fraqueza do concorrente com mérito próprio.

Ele aponta riscos em três horizontes: no curto prazo, a tentação de acomodar-se e de recorrer à renegociação recorrente de dívidas. No médio prazo, a dependência de fertilizantes importados e de defensivos, num cenário em que a exigência de mercados compradores pode aumentar. No longo prazo, a ausência de uma política agrícola estável, com regras claras para seguro rural, concorrência na cadeia, mão de obra e licenciamento ambiental.

A diferença, destaca o artigo, é que os Estados Unidos têm caixa para financiar seus próprios erros. O Brasil não.

 

Fonte de pesquisa: agfeed.com.br

ATRAQ Logística O agro mais produtivo do mundo vive um momento delicado. Em abril de 2026, produtores americanos fizeram o maior número de pedidos de recuperação judicial em um único mês desde 2020. No acumulado...

    Veja também

    Agro tem Valor Bruto da Produção estimado em R$ 1,236 trilhão para 202220/05/22 O Valor Bruto da Produção Agropecuária em 2022 deve alcançar R$ 1,236 trilhão, com base nas informações de safras do mês de abril. A estimativa mais recente foi anunciada no dia 16 de Maio de 2022 pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). A projeção é 2,7% acima do valor obtido em 2021 (R$ 1,204......
    Porto do Itaqui tem primeira movimentação de etanol de milho04/11/22 O Porto do Itaqui movimentou, neste mês, a primeira carga de etanol anidro de milho, biocombustível usado na composição da gasolina. Um volume de 440 metros cúbicos dessa carga, originária de Sorriso, no Mato Grosso......

    Voltar para Notícias


    Uso de Cookies


    Nós utilizamos cookies com o objetivo de oferecer a melhor experiência no uso do nosso site. Ao continuar sua navegação, você concorda com os nossos Termos de Uso.